sexta-feira, 18 de junho de 2010

Salmo 141


Introdução
            Usando ferramentas exegéticas, faremos o estudo interpretativo do Salmo 141, pretendemos conhecer sua forma e conteúdo. Ao final deste trabalho, traremos informações tenham enfoque em nossa atualidade. Para alcançar esta meta seguiremos os seguintes passos: tradução do texto, data, autoria, lugar, gênero literário, forma e poesia e por fim assunto de interpretação.

1. O texto e sua tradução(Sl. 141)[1]
            1Senhor, eu te chamei; depressa! Vem!
            presta ouvidos à minha voz quanto te chamo.
            2Que minha prece seja o incenso diante de ti.
            e minhas mãos erguidas, a oferenda da tarde.
           
            3Senhor, põe uma guarda à minha boca,
            vigia a porta dos meus lábios;
            4freia meu coração no declive do mal!
            que eu não me entregue a práticas, ímpias
            com malfeitores:
            não provarei dos seus festins.

            5Que, por fidelidade, o justo me bata e me repreenda!
            Que o óleo perfumado não unja a minha cabeça,
            mas que a minha oração persevere diante de suas maldades!

            6Seus chefes foram precipitados do rochedo,
            eles que se tinha alegrado ao me ouvir dizer:
            7“Como se revolve e se escava o solo,
            assim dispersaram nossos ossos na goela dos ínferos.”

            Com os olhos em ti, Deus Senhor,
            refugiei-me junto a ti; não me faças entregar a alma;
            guarda-me junto a ti; não me faças entregar a alma;
            guarda-me da cilada que me armaram
            e dos pedidos dos malfeitores.
            Os infiéis cairão na sua armadilha,
            ao passo que eu, eu passarei além.

  1. Data, lugar e autoria
      Verificar a data da formação de um salmo é sempre uma questão problemática, por sua característica poética e não histórica. Em geral esta tarefa é impossível[2]
            Procuram-se então pistas no texto a fim de se aproximar de algum resultado. Segundo Bortolini, o salmista pode ser alguém do templo de Jerusalém, em vez de oferecer o sacrifício da tarde, presta seu pedido de socorro[3]. Outro pesquisador Alonso, diz que o salmo pode ser da época da guerra dos Macabeus, pois o salmista prefere adotar uma atitude de desafio do que participar dos banquetes daqueles que detêm o poder[4], mas o próprio Alonso diz que não é possível provar esta datação nem oferecer outra mais precisa3. Alonso ainda faz uma comparação com alguns versículos de Bem Sira,  que é anterior à época dos Macabeus, veja abaixo:
Bem Sira 22
27Quem me dera ter um guarda à minha boca,
 e um selo inviolável sobre os meus lábios,
para que eu não caia por sua causa,
e para que a minha língua não me perca!
Bem Sira 23
1Senhor, Pai soberano da minha vida,
não me abandones ao conselho dos meus lábios,
nem permitas que eles me façam sucumbir. 
Bem Sira 2
2Quem aplicará o açoite aos meus pensamentos, 
e ao meu coração uma sábia correção, 
para que sejam severos com os meus erros,
e eu não tolere as suas faltas?
            É nítida a semelhança entre os versículos acima e o salmo objeto de nosso estudo, por se ver uma dependência, ou uma inspiração de um pelo outro, resta saber quem depende de quem. Com base nas informações acima podemos conjecturar que este salmo é da época pós-exilica.
            Já o problema da autoria; o salmista é aparentemente alguém importante, de certa influência política ou religiosa, pois lhe oferecem um banquete, ainda lhe pedem sua oração, então podemos apontar para um religioso.

  1. Gênero literário.
Trata-se de um salmo de súplica individual, isto fica claro desde o primeiro versículo.

4. Forma e Poesia.
            Cabeçalho: salmo davídico
            Primeira estrofe: Urgência .........................................................(v.1 - 2)
            Segunda estrofe: Vigia minha boca e guarda meu coração........(v.3 - 7)
            Terceira estrofe: Não me deixes, guarda-me...............................(v.8 – 10)
           
            Em relação à poesia, verificamos a estrutura em quiasmo em v.6a e v.7b.

5. Assunto de interpretação.
            O salmista demonstra pressa em seu clamor (v.1).
            No v.2 o incenso nos remete a tradição de Ex 30. 7,9. A oferenda vespertina é mencionada na reforma do culto de Acaz (2Rs 16.15) [5]. Notemos que o salmista atribui a oração e a adoração, função equivalente a cerimônias rituais. Despe-se aqui a oficialidade das liturgias e ritos, mostrando que Ele está aberto a um coração que clama com sinceridade.
            O cuidado com o que sai ou entra pela boca do salmista conforme vemos em v.3, nos remete a Ex 8.3; 23.24.  Já no v.4 denota-se que o coração é a origem do que sai pela boca (Pv 21. 1) ele deve ser dirigido pelo Senhor.
            O salmista está em franco conflito, assediado pelos maus que estão no poder (v.4b),  para depois vermos o paralelo de v.5a com PV 9.8; 19.25; 28,23 onde ele pede a admoestação dos justos. Ele quer ficar firme contra a adulação dos maus que desejam ungi-lo, pode-se buscar esta fonte em Am 6.6. Juntamente com o v.4 pode-se imaginar que os perversos se banqueteiam e perfumam-se em festas a custas dos inocentes. Verifica-se um retrato do proveito tirado pelos que detêm o poder contra os desfavorecidos.
            Nos v.8 a v.9 o salmista volta seu clamor e confiança a Deus, para não cair na tentação de atender aos pedidos dos malfeitores, se levamos estas frases a Is 53.12, podemos entender que os pedidos ímpios não são atendidos, que não passam de armadilhas contra nós.
            Finalizando, no v.10 o passarei pode estar invocando a tradição de Ex 15.16, trazendo a noção de libertação, que o justo passará pelos perigos para a libertação em Deus.

6. Para refletir.
            Em relação aos “atalhos” oferecidos em nossas vidas, como estão nossas convicções em relação à justiça de Deus? Será que entendemos que nossos pedidos em oração não podem ser atendidos, quando buscam objetivos egoístas, que não contemplam Sua justiça? Entendemos quando somos corrigidos pelo amor de Deus? Ou focamos nossos corações apenas naquilo que nos traz satisfação imediata?
            Meditar sobre estas questões podem corrigir o rumo de nossas vidas, para nos encaminhar a verdadeira libertação.
           
Bibliografia.
BORTOLINI, José. Conhecer e Rezar os Salmos. 3ª Ed. São Paulo; Paulus, 2006.
Bíblia Tradução Ecumênica, Loyola, São Paulo, 1994.
ALONSO, Luis Schokel; CARNITI,Cecilia. Salmos - Traducción, introducciones y comentários. Verbo Divino,Estela, 1992.


[1] Tradução do texto extraído da Bíblia Tradução Ecumênica.
[2] José Bortolini, Conhecer e Rezar os Salmos, p.10.
[3] José Bortolini, Conhecer e Rezar os Salmos, p.582.
[4] Luiz Schoekel Alonso, Salmos – Traducción, introducciones y comentários, p.661.
[5] Luiz Schoekel Alonso, Salmos – Traducción, introducciones y comentários, p.662.

2 comentários:

  1. Paulo, legal visitar seu blog e ver que segues lutando com as exegeses.

    Esse é o nosso caminho, exercitar e deixar que os métodos façam parte de nossa maneira de pensar a Bíblia.

    Mas eu sou especialista em Novo Testamento, e este blog é sobre sinóticos, quero saber quando postar exegeses de textos dos evangelhos.

    Abraço.

    ResponderExcluir
  2. muito bom os comentários. Meus parabéns!

    ResponderExcluir